Simon Kennedy

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Quando e onde foi registada esta imagem?

Foi registada na Heygate Estate (Elephant and Castle, Londres, Inglaterra), no mês de Novembro de 2011.

Já lá tinha estado?

Visitei este local em inúmeras ocasiões. Também cheguei a viver próximo do local e conhecia o sítio há muitos anos.

Como surgiu esta oportunidade?

Fui ao local por diversas vezes para registar uma série de imagens.

Quais eram as condições no local quando o visitou desta vez?

Era uma manhã fria e cinzenta de Inverno. O local estava assustadoramente silencioso uma vez que grande parte dos habitantes já tinha saído. Cheirava a Londres.

Existem aspectos técnicos acerca da fotografia que queira mencionar?

A imagem é o resultado de um prolongado processo de investigação e composição, começando com uma máquina digital e acabando por usar uma máquina de grande formato. O negativo foi digitalizado e sujeito a um conjunto de melhoramentos digitais.

Porque selecionou esta imagem?

Esta é provavelmente a imagem que mais gosto deste conjunto. Gosto do facto da composição estar próxima da simetria, no entanto as árvores parecem triunfantes, inclusivamente parecem estar a dançar no espaço. A imagem mostra um carro, sugerindo um certo grau de apropriação que resiste neste conjunto habitacional.

Existe algum momento peculiar que se tenha passado durante o registo das imagens?

Enquanto fazia este conjunto de imagens era comum deparar-me com várias equipas de reportagem que me tentavam mover de onde estava ou inclusivamente fazer-me sair do local. Tendo em conta que não tinham qualquer autoridade para o fazer, recusei-me sempre.

O que é que queria comunicar através desta imagem?

Esta imagem é parte de um selecção de imagens que estuda o conjunto habitacional que, embora utópico nas suas intenções, era reconhecido no final da sua vida útil como tendo vários problemas a nível social. Estas fotografias foram tiradas quando o conjunto estava vazio à espera que fosse demolido e eu estava curioso por saber o que é que permanecia – poderá a arquitectura formal reafirmar-se a si agora que os seus habitantes se tinha ido embora? Poderá um conjunto habitacional fazer mais sentido como um artefacto vazio do que como um conjunto cheio? Esta relação reversiva dos conjuntos habitacionais com a natureza também me fascinam.


A imagem e entrevista seleccionadas fazem parte do projecto editorial “1 Photo(grapher)”.

 

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