Robert Bilder

Salvador Dalí foi dos pintores tecnicamente mais exímios. Do ponto de vista da criatividade foi também um dos mais estimulantes. Numa entrevista chegou a dizer “Sou um mau pintor porque sou demasiado inteligente para ser um bom pintor. Para se ser um bom pintor há que ser um pouco burro.”. Há alguma relação entre o que se diz ser a inteligência e a capacidade criativa?

Sim, é uma provocação, mas não é verdade. Há quem acredite que há uma modesta correlação entre a criatividade e a inteligência mas apenas até certo ponto – até a um quociente de inteligência de 120 pontos. A partir daí não existe correlação alguma.

Como seres humanos temos actividades que, não sendo essenciais para o nosso desenvolvimento e transmissão genéticas, são muito importantes para o nosso bem-estar. A Arte é mencionada por alguns autores como um desses exemplos. É longa a discussão sobre aproximação da Arquitectura mais do campo das Artes ou das Ciências. Há quem diga que é uma arte funcional. No entanto, quando se fez a primeira cabana, imagino que isso possa ter desencadeado uma modificação genética que terá evoluído (relacionado com o sedentarismo, com as actividades agrícolas, etc.). Olhando para esta ambiguidade, poderá dizer-se que a arquitectura se aproxima mais de uma actividade indispensável para o nosso estado homeostático ou antes de uma actividade “apenas” essencial para o nosso bem-estar social?

Parece-me que a Arquitectura foi sempre um elemento crítico na sobrevivência humana e no nosso sucesso como espécie. Penso também que continua a dinamizar a expressão criativa e espero que continue a actuar sobre os futuros sucessos da nossa espécie.

Consegue lembrar-se de uma experiência espacial peculiar que o tenha emocionado de alguma forma? 

Tenho-as todos os dias. Por exemplo, desde do meu bairro consigo ver o Getty Museum e é sempre inspirador para mim. O nosso novo hospital na UCLA foi desenhado pelo I.M. Pei e também aí, especificamente no “lobby”, o impacto espacial é enorme.

* Professor de Psiquiatria e Ciências Bio-Comportamentais no Centro Tennenbaum (EUA). Licenciou-se em Biologia e Psicologia pela Universidade de Columbia (1978) e doutorou-se em Psicologia pela Universidade City em Nova Iorque (1984). Ao longo de 20 anos a sua investigação tem sido desenvolvida em torno das áreas da neuroanatomia e neuropsicologia.

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