Nicolas Grospierre

plywalnia

Onde e quando foi tirada esta fotografia?

Numa piscina interior de um sanatório balnear, em Druskininkai, na Lituânia, em Outubro de 2003.

Uma vez no local, quais eram as condições?

As condições no local eram aquelas de um típico edifício destes. Isto é, uma temperatura mas bastante húmida. Uma iluminação pouco intensa mas contrastante. Um silêncio interrompido por gotas de água. O cheiro era o de gesso moldado. No geral era uma atmosfera bastante desagradável.

Existe algum aspecto técnico que queira partilhar?

O registo em si foi bastante simples: uma longa exposição e uma abertura muito pequena para uma ampla profundidade de campo. Utilizei uma lente grande angular (40mm) numa câmara Hasselblad.

Como é que entrou no local?

Entrei neste edifício abandonado sem autorização. Estava trancado mas nem todas as entradas estavam completamente fechadas. Consegui entrar sem partir qualquer janela. Fiquei a saber da existência deste edifício através de um livro soviético chamado “A Arquitectura da Lituânia Soviética”.

Tinha havido algum contacto com o edifício antes do dia da fotografia?

Tinha estado algumas semanas antes no local, mas não tinha ficado satisfeito com os resultados. Por isso decidi fazer mais uma viagem para registar novas imagens.

Porque razão escolheu esta fotografia em particular?

Escolhi esta imagem porque é bastante representativa do meu trabalho, no que diz respeito à documentação da arquitectura soviética pouco conhecida. Tenho um sentimento muito profundo em relação a esta imagem – que é parte de um conjunto maior de fotografias intitulado “Hydroklinika” – pois é um dos mais originais e delirantes edifícios que tive a oportunidade de fotografar, e também porque já não existe mais nesta forma. Toda a estrutura foi transformada num “aquaparque” e os interiores foram destruídos neste processo de transformação.

Houve alguma coisa que quisesse comunicar através desta fotografia?

Com esta parte do meu trabalho, ou seja, a documentação de arquitectura moderna, principalmente dos antigos países soviéticos, tentei transmitir da forma mais objectiva possível a visão que tenho sobre os edifícios que considero interessantes. Obviamente que a escolha dos edifícios é objectiva, e reflecte as minhas preferências, e aqui deve-se olhar para o significado deste trabalho como conjunto e não para uma única imagem. Tenho estado a documentar este tipo de arquitectura pois há já 13 anos a esta era negligenciada e desconhecida. Pensei que seria interessante porque quebrava com o pensamento convencional sobre a arquitectura socialista e sobre a ideia de que se baseava em blocos de apartamentos cinzentos e enfadonhos. Eram antes jóias extraordinárias que deveriam ser expostas – e talvez recuperadas. Também devo dizer que por vezes esta arquitectura louca mostrou outro lado do sistema comunista, o de que era capaz de produzir uma arquitectura que era economicamente viável realmente construída. Com isto não estou de forma alguma a tentar justificar este sistema, estou simplesmente a salientar o facto deste aspecto – que no final acabou por levar à sua própria morte, precisamente por causa da falta de responsabilidade económica – ter produzido resultados extraordinários.


A imagem e entrevista seleccionadas fazem parte do projecto editorial “1 Photo(grapher)”.

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