Amanda Large & Younes Bounhar

Marilyn's CurvesQue imagem é esta e onde foi tirada?

Esta foto mostra uma das “Absolute Towers” desenhadas pela MAD Architects (Pequim) localizadas em Mississauga, no estado do Ontário, a oeste da cidade de Toronto, no Canadá.

Quando foi tirada?

Foi tirada a 3 de Junho de 2013 às 12:54.

Quais eram as condições no local?

A fotografia foi tirada num belo meio-dia, quase sem nuvens, num dos últimos dias da Primavera.

Pode mencionar alguns aspectos técnicos relativamente à imagem?

A maioria das pessoas surpreende-se quando lhes dizemos que esta imagem tem muito pouca edição, ela é essencialmente o que a câmara registou. É ainda mais surpreendente para muitos, quando explicamos que ela foi tirada ao meio-dia! A chave para esta fotografia foi tirar vantagem do sol muito forte que iluminava o rebordo da torre, criando desta forma uma área de enorme contraste entre o próprio rebordo e o fundo. Ao colocar o enquadramento em subexposição de forma deliberada, também isolámos o rebordo do que rodeia a torre como se estivesse a flutuar no espaço.

Como surgiu esta oportunidade?

Este foi um trabalho pedido pela revista “Canadian Architect”. Esta imagem em particular acabou por ser a fotografia para a capa dessa revista.

Já tinham visitado o sítio antes?

Não. Já há algum tempo que queríamos fazer uma viagem até lá para fotografar as torres apenas porque achávamos que iria ser divertido. Por isso, acabar por ter um trabalho destes foi a “cereja no topo do bolo”.

Há alguma coisa em particular sobre o momento em que foi tirada esta fotografia?

Na verdade, esta foi a primeira imagem do edifício que fizemos. Chegámos cedo ao local e registámos esta imagem enquanto esperávamos pela pessoa que viria ter connosco por parte do promotor.

Porque escolheram esta imagem em particular? E havia alguma coisa que quisessem comunicar através dela?

Nós sempre gostámos das “Absolute Towers” e tínhamo-las há já algum tempo na nossa espécie de “lista obrigatória” de edifícios a fotografar. As torres tiveram uma forte cobertura a nível da comunicação social nacional e internacional e foram fotografadas “ad nauseam”. Por isso quisemos fazer algo que, tal como as torres, fosse especialmente distinto. Algo que não só destacasse as principais características das torres – neste caso, as linhas curvas e as superfícies espelhadas – mas que também sinalizasse a singularidade dessas torres na paisagem de Mississauga. Como fotógrafos, tendemos a ser atraídos, principalmente, pela qualidade de luz ao amanhecer e ao anoitecer. Normalmente, é durante o crepúsculo e amanhecer que os edifícios parecem mais belos. No entanto, nós não nos limitamos a aplicar uma fórmula padrão em cada trabalho fotográfico que fazemos, ao invés, cada edifício é único e tem características especiais que o definem. São estas características que definem a forma como abordamos o edifício do ponto de vista fotográfico. Neste caso, nós basicamente quebrámos uma das “regras” mais importantes da fotografia, que desaconselha o registo fotográfico ao meio-dia. Dada a superfície reflexiva das torres, tudo o que está directamente exposto pela luz solar vai ser muito, muito mais brilhante do que o resto. A posição do sol era tal que toda a curva da frente da torre ficou iluminada, enquanto o resto ficou várias ordens de magnitude mais escuro. Portanto, ao invés de expor a imagem como a câmara sugeria, optámos por subexpô-la drasticamente. Desta forma, a curva ficou perfeitamente exposta enquanto que o resto da composição ficou mergulhada na escuridão, proporcionando assim uma qualidade abstracta à fotografia.

A imagem e entrevista seleccionadas fazem parte do projecto editorial “1 Photo(grapher)”.