Eddy Joaquim

17 - Eddy Joaquim (Custom)

Onde e quando foi esta fotografia registada?

Em La Tourette, em França, na manhã de 7 de Julho de 2001.

Quais eram as condições no local?

A temperatura era amena. A primeira luz da manhã, longas sombras, ligeiramente difusas, serenidade. Os sons sugeriam um mosteiro totalmente funcional e em funcionamento. Serenos devido à função do edifício mas também pelo simbolismo de um local sagrado. O ar estava ligeiramente húmido e fresco, particularmente no sítio onde foi tirada a fotografia, que estava ligeiramente debaixo de terra.

Existe algum aspecto técnico que queira mencionar?

A imagem foi tirada em rolo fotográfico e por isso está com um pouco de grão e não muito focada devido à pouca iluminação no interior e ao alto contraste proveniente das aberturas de luz acima. Ao longo dos anos, à medida que revisitava esta imagem, as imperfeições técnicas transmitem-me a ideia de que a mesma imagem é verdadeira tendo em conta a minha memória do loca. Possivelmente, as cores foram acentuadas devido ao tipo de rolo fotográfico usado, mas mesmo assim sinto que é a imagem é verdadeira na minha memória do local. Recordo-me que as cores eram muito intensas, em directo contraste com as percepções que eu tinha das obras de Le Corbusier, frequentemente publicadas através de fotografias a preto e branco que pareciam quase clinicas e desprovidas de vida. Quando se está no local é totalmente o oposto e esta fotografia recorda-me isso mesmo.

Como surgiu a oportunidade de fotografar esta obra?

Por meu próprio interesse. Sou formado como arquitecto e exerço arquitectura e faço questão de visitar edifícios notáveis sempre que posso, tanto para aprender fotografia como para fotografar.

O que é mais interessante para si nesta imagem?

As cores vibrantes e aparente fortuita composição formal que de alguma forma estava espacialmente muito equilibrada.

Existe algum momento particular ou engraçado sobre este registo?

Infelizmente não foi uma situação engraçada, mas de qualquer forma muito presente na minha memória. O comboio que me levou à localidade próxima de La Tourette colheu uma pessoa. Ficamos presos numa área rural francesa por algum tempo, enquanto a polícia investigava o que se tinha sucedido. Nunca me esquecerei do som do impacto, que foi imperceptível até ao momento em que compreendemos porque razão o comboio tinha parado subitamente no meio do nada. É uma estranha memória para associar à tão maravilhosa experiência de visitar um edifício tão notável e tranquilo, no entanto estranhamente apropriado, um complemento à beleza inesperada do edifício.

Existe algo que quisesse comunica através desta imagem?

Bem, ao longo de anos, nas viagens subsequentes que fiz a outros edifícios de Le Corbusier não apenas reforçaram a minha admiração pela humanidade dos seus espaços. Eles são muito mais do que sensorialmente sedutoras e confortáveis do que alguma vez alguém possa pensar olhando apenas para uma fotografia!


A imagem e entrevista seleccionadas fazem parte do projecto editorial “1 Photo(grapher)”.