Duccio Malagamba

Dalian Congress Centre Coop Himmelb(l)au ArchitectsDalian, China

Onde foi tirada esta fotografia?

É uma imagem do exterior do Centro de Congressos de Dalian, na China. O edifício foi desenhado pela Coop Himmelb(l)au Architects.

Já lá tinha estado antes?

Não, foi a minha primeira vez em Dalian e apenas a minha segunda visita à China.

Quando foi esta foto tirada?

Lembro-me que esta foto foi tirada numa tarde no início do mês de Dezembro de 2013.

Como surgiu esta oportunidade?

Foi-me pedido pelos arquitectos que fizesse o registo deste edifício.

Quais eram as condições no local?

A área está próxima do mar e no momento da reportagem sentia-se uma fria brisa do mar. Na verdade, muito fria uma vez que as temperatura naqueles dias era entre os -10º e -15º. O local estava quase silencioso uma vez que os operários tinham acabado o seu dia de trabalho e o tráfego estava muito longe. O início da tarde tinha sido muito nublado, mas ao aproximar-se o pôr-do-sol o céu abriu um pouco e uma luz suave surgiu timidamente.

Existe algum aspecto técnico que queira apontar?

Bem, trabalhar em condições tão frias é sempre muito exigente, tanto para o fotógrafo como para o equipamento. Ainda assim tenho de salientar que numa semana de trabalho sob condições climatéricas tão severas nunca tive problemas com as baterias ou com a máquina fotográfica.

Porque escolheu esta imagem no meio de tantas outras?

Encontro muitas razões para gostar desta imagem. Em primeiro lugar gosto da sua atmosfera surreal. As três figuras parecem muito pequenas e perdidas num contexto peculiar, também acho engraçado que o aquela que está mais próxima use uma máscara. Este pormenor imediatamente transmite a sensação de se estar perante um ambiente inseguro. De alguma forma contribui para transformar o Centro de Congressos numa nave espacial que possivelmente contaminou o local. Ou possivelmente a nave está lá para resgatar os sobreviventes que estão surpresos e desorientados desta paisagem pós-desastre… Penso que esta imagem também é interessante quando analisada através de um ponto de vista mais ortodoxo: encarando-a apenas como uma fotografia arquitectónica mostra o edifício perfeitamente iluminado, enaltecendo a sua forma peculiar e a sua “pele” reflectora. A relação com o exterior é claramente expressada. Finalmente, as pessoas oferecem escala e alguma acção à fotografia. Um outro aspecto que gosto particularmente nesta imagem é a sua composição equilibrada, com quase uma metade dominada por uma zona escura em crescendo e uma outra com base num volume horizontal brilhante.

O que queria comunicar através desta imagem?

Claramente estava interessado em mostrar o contexto muito específico onde este edifício está localizado. Estava fascinado pelos contrastes de escala e de estética. Mas deixe-me reproduzir o que a editor da Architectural Review – Catherine Slessor – disse acerca desta imagem numa entrevista na port-magazine.com. Ela descreveu perfeitamente o que eu tinha em mente e, obviamente, é capaz de se expressar muito melhor do que eu em inglês:

“É simultaneamente bela e sombria – o novo e belo edifício qual peça delicada de escultura ou de alta-costura, colocado contra um cenário de contínua terraformação da paisagem urbana através de arranha-céus sombrios e anónimos. É excepcionalmente evocativa do nosso tempo e de como a arquitectura está a ser implacavelmente mercantilizada, usada com uma bugiganga para embelezar o que é um desenvolvimento urbano terrivelmente banal e sobredimensionado, realizado a uma velocidade vertiginosa. Ao afastar o enquadramento de forma a incluir uma mais ampla contextualização, Malagamba convida-o a examinar uma imagem mais reveladora e complexa”.


A imagem e entrevista seleccionadas fazem parte do projecto editorial “1 Photo(grapher)”.

Advertisements