David Leventi

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Onde e quando foi tirada esta fotografia?

Foi tirada na Prisão Panóptica de Koepel em Arnhem, na Holanda, a 23 de Maio de 2011, às 20:44.

Quais eram as condições no local?

Uma atmosfera muito austera, uma temperatura confortável, a iluminação era artificial, estava sossegado, o cheiro era a de comida queimada que vinha de dentro de um micro-ondas de uma das celas.

Existe algum aspect mais técnico que queira mencionar?

Eu fotografei esta prisão cupulada a partir de um ponto no pavimento que permite ter um contraste de composição – relativamente às casas de ópera que costumo fotografar e onde fotografo a partir de um ponto no centro do palco onde o artista estará – próximo da perfeição. Trabalhei com uma câmara de grande formato de forma a ter o máximo de controlo na tarefa de assegurar a simetria arquitectónica da imagem. Prestei grande atenção às linhas linhas que tinham de estar direitas para uma repetição perfeita. Também quis que as curvas do tecto e as linhas das passarelas superior e inferior fossem paralelas para enfatizar a geometria Euclidiana. Com esta câmara também consegui “achatar” o espaço de forma a parecer-se mais com uma pintura. Por exemplo, o lustre industrial que está pendurado parece estar torto como se tivesse inclinado em direcção ao observador. Queria proporcionar ao observador a experiência de se estar rodeado pelo espaço.

Como é que entrou dentro deste espaço?

Através de um acordo de troca.

O que é que acha mais interessante em relação a esta imagem?

O panóptico. Eu penso que à primeira vista o observador não percebe que se trata do interior de uma prisão. Para mim o tecto da prisão parece o padrão “tartan” tornado famoso pela Burberry.

Houve alguma coisa que estivesse a tentar comunicar através desta fotografia?

A prisão cupulada é a concretização mais óbvia do modelo de prisão panóptica desenhada por Jeremy Bentham: uma torre de vigia central com uma vista completa das celas. Este conceito foi idealizado de forma a que um observador colocado no centro pudesse ver todos os reclusos de uma única só vez, e sem que parecesse que se estivesse a olhar para um recluso em particular. A prisão cupulada tem a mesma estrutura arquitectónica que a de uma casa de ópera (sem a opulência desta última). A diferença está apenas em quem está a observar quem. Na casa de ópera a maioria (público) observa a minoria (artistas). No caso da prisão cupulada é o contrário.


A imagem e entrevista seleccionadas fazem parte do projecto editorial “1 Photo(grapher)”.