Asier Gogortza

66 - Asier Gogortza

Onde e quando foi a tirada esta fotografia?

Foi tirada na “Praça livre” ou o chamado “frontão” do bairro Gehasto, na localidade Itsasu (Lapurdi, País Basco), numa tarde de Janeiro, em 2013.

Quais eram as condições no local?

Era um dia nublado, mas de muita claridade. Em todas as fotografias realizadas para este projecto, procurei condições de luz similares, evitando a luz solar directa, utilizando as nuvens como difusor natural, de forma a conseguir uma atmosfera neutra e suave.

Existem aspectos técnicos acerca do registo desta fotografia que queira referir?

Como em toda a série, coloquei a parede do frontão centrada na imagem a uma altura determinada.

Como entrou na propriedade?

A primeira vez foi por casualidade, há muitos anos já, numa das minhas excursões sem rumo fixo por essa zona. Naquela altura não tinha em mente a série sobre frontões, mas o lugar pareceu-me muito especial e durante anos voltei a ir em muitas ocasiões. Diria que este espaço é o que me inspirou para fazer a série sobre frontões.

O que é que torna esta escolha tão especial?

Estou certo de que repeti a série mais de sete vezes, em diferentes dias e com diferentes luzes, durante um período de mais de um ano. Converteu-se numa pequena obsessão.

Existe algum acontecimento engraçado acerca do momento desta fotografia que gostaria de partilhar?

Desde minha casa, demoro aproximadamente uma hora de carro até esse lugar e às vezes ia sozinho, mas a maioria das vezes ia com a Marga, a minha companheira. Chegava o fim-de-semana e eu perguntava-lhe: “Vamos ver o frontão de Itsasu?” e ela estava sempre encantada em vir comigo, quase com mais entusiasmo que eu. Às vezes chegávamos ao sítio e eu nem sequer tirava a câmara porque a luz não era o que eu queria. E no fim-de-semana seguinte, o mesmo. Quando fiz a foto que me agradou, o nosso filho Ladix já tinha quatro meses e a primeira vez que fomos a Marga não estava sequer grávida. No entanto, hoje admira-me que ela nunca se tenha importado em vir sempre comigo ver o “frontão”.

Existe algo que estava a tentar comunicar através desta fotografia?

Creio que é uma das imagens desta série que melhor explica aquilo que estava à procura, ainda que me custe explicá-la com palavras. queria falar do frontão como elemento arquitectónico, da sua funcionalidade e do seu simbolismo para os bascos, da sua estética… e também da intervenção na paisagem, da relação que se cria entre a construção e a envolvente… diria que foi um processo de investigação estética.


A imagem e entrevista seleccionadas fazem parte do projecto editorial “1 Photo(grapher)”.