Alexandre Castro Caldas

Salvador Dalí chegou a dizer “sou um mau pintor porque sou demasiado inteligente para ser um bom pintor. Para se ser um bom pintor há que ser um pouco burro”.

Não tem nada a ver uma coisa com a outra. A criatividade é talvez uma fuga àquilo que é o constrangimento da cultura. Ser criativo é fugir um pouco às normas que estão estabelecidas, ter uma maior liberdade. E do meu ponto de vista, isso não tem a ver com ter muita ou pouca inteligência. São duas coisas distintas.

Não há portanto nenhuma relação entre o que quociente de inteligência e a capacidade criativa.

Não, não há nenhuma. Aliás o quociente de inteligência é um conceito “sem cérebro”. É criado no século passado muito antes de se estar a discutir o cérebro. Portanto, está relacionado com a psicologia. Foi o David Wechsler que propôs uma extensa bateria de provas nos domínios das competências ditas cognitivas, que aplicou a uma amostragem muito grande de pessoas. Viu o que era redundante e reduziu tudo a um núcleo com duas partes. Uma parte que se chamava verbal (com linguagem) e outra que era não-verbal (sem linguagem). E assim obteve um valor numérico que designou por quociente de inteligência. Colocou matemática em cima daquilo. Depois as pessoas acreditaram que aquilo era como uma análise de sangue, ou o ADN. Mas hoje em dia sabemos que o QI varia com a cultura – entre outras coisas – e portanto nada é fixo. Felizmente nada é fixo na cabeça das pessoas. Podemos estar constantemente a moldar o conhecimento. Agora, o que é a criatividade? A criatividade é ser capaz de sair dos modelos estabelecidos e de ter alguma liberdade dentro da cabeça de forma a ter acesso a outras áreas de exploração do mundo que não são as habituais. A criatividade vai reduzindo com a idade. À medida que vamos adquirindo mais conhecimentos vamos ficando cada vez mais restritivos na nossa forma de pensar (se não formos cuidadosos a gerir a nossa cabeça). E portanto vamos sempre arranjando soluções dentro das soluções que fomos aprendendo e que nos parecem as mais consensuais. Há pessoas que conseguem estar sempre com a “porta entreaberta” e de fugir para outras áreas. Quando é que podemos dizer que a produção das pessoas é interessante? Quando – apesar de tudo – reconhecermos dentro de nós que aquilo que está feito nos diz alguma coisa. Embora tenhamos medo de o ter dito, gostamos que os outros tenham dito. E esse é que é o resultado da produção artística. É evidente que para alguma da produção é também preciso ter algum conhecimento e ter um enquadramento cultural para fazer a leitura conveniente. É preciso que se tenha capacidade para se fazer a descodificação. Por exemplo, há coisas que não são intuitivamente belas. Que só são belas quando sabemos como é que as podemos ver belas.

Oscar Niemeyer - Kurt Hutton
Oscar Niemeyer | © Kurt Hutton

Há um discurso em relação ao objecto.

Há um discurso prévio que nos diz “Sim senhor, pronto, já percebi”. Mas podemos chegar à beleza intuitiva e essa é mais espontânea, é uma beleza que nós apreciamos mais intuitivamente. É o que me parece quer em relação à música, quer em relação à pintura, à escultura. É evidente que quando se discute arquitectura… eu lembro-me de ter tido uma longa conversa com um arquitecto que mencionou esse constrangimento: quando ele dava aulas dizia aos alunos “vamos discutir aqui um sítio onde as pessoas vão tratar dos alimentos” e se dissesse “cozinha” os alunos começavam todos a fazer cozinhas. Portanto ele tinha que retirar o constrangimento natural. Depois ele perguntava-me “Como é que eu ensino a um aluno como é que se faz uma janela? Qual é a dimensão da janela?” E eu acho que a arquitectura tem alguns aspectos muito interessantes, um deles – e que é fantástico – é que não é preciso algo estar construído para nos emocionarmos. No entanto, a arquitectura também tem que se ligar às pessoas e portanto implica que o arquitecto seja capaz de fazer a leitura de como as pessoas funcionam dentro dos espaços, que nem sempre é fácil porque a leitura do espaço dessas pessoas pode não ser a nossa e por isso podem sentir-se mal lá dentro.

Há quem diga que a criatividade é a capacidade de conectar com sucesso conceitos aparentemente não relacionáveis. Nesse sentido, gostaria de perguntar se uma boa memória se torna vantajosa a um criativo? À partida, a possibilidade de armazenar um maior número de conceitos de forma a serem manipulados e transformados numa nova ideia é uma ferramenta importante para a criatividade.

O que é que é fazer associações? Fazer associações é trazer para o nível consciente uma série de elementos – guardados em memória – que depois nós articulamos. E um criativo encontra forma de o fazer mesmo quando não é óbvio. É evidente que a memória é indispensável. Ou melhor, as várias memórias. Porque isso implica ter uma memória semântica – que vai buscar os elementos básicos do passado que fazem parte da nossa experiência – e depois uma memória de trabalho que permite manter as coisas num nível operacional – que é a memória “RAM” dos computadores – de forma a não perder nada durante os processos. E depois articular isto tudo de uma forma que não seja habitual que é o que fazemos no sono. No sonho nós não temos nenhum sistema de controlo, o sonho é completamente criativo e livre. Não significa que tenha significado. Não tem, não se deve atribuir significado. Mas a liberdade de associação é completa.

Há a tendência de se compartimentar o Conhecimento. Desde há muito tempo que há uma separação entre as Ciências e as Artes. Crê que, tendo em conta a criatividade, as Ciências e as Artes estão mais próximas do que se julga?

Eu gostava de pensar que estamos a viver uma nova Renascença. Eu achava muito interessante que estivéssemos a viver uma nova Renascença – se calhar só se vai perceber daqui a uns anos quando eu já cá não estiver e se calhar você também não será durante o seu tempo – em que as pessoas deixam de olhar para o mundo em compartimentos. O que aconteceu foi que nós fomos muito Aristotélicos a estudar as coisas. Começámos a fazer colecções de coisas observáveis. De vez em quando temos pessoas a falar das mesmas coisas com uma forma completamente distinta uma da outra. Ora o Universo não está dividido dessa maneira e portanto os saberes são contínuos, não existe descontinuidade. E portanto, dizer “Ciência e Arte”… quando se está a escrever um “paper” científico ou a fazer uma investigação científica tem que se ter criatividade. Muitas das vezes a criatividade resulta da pessoa olhar para as coisas e dizer “isto nunca foi escrito”, “isto não é assim, pode ser assim” ou “deixa lá experimentar”. E aqui acontece um salto positivo.

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Richard Serra a trabalhar

De resto essa experimentação é algo que acontece muito nas Artes também. As criações não nascem de um dia para o outro.

Exactamente. Os artistas também fazem experiências.

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Thomas Edison a trabalhar | “Génio: 1% inspiração, 99% transpiração”

E crê que nas ciências também se pode falar em estética? Há físicos – por exemplo – que falam numa beleza que é também procurada quando desenvolvem fórmulas.

Eu aí tenho alguma dificuldade em perceber qual é a modalidade que estamos a falar. Eu quase que diria que é uma modalidade sequencial do que uma modalidade espacial. Temos que admitir que a modalidade dominante no tratamento da informação é importante na definição do processo. A estética da arquitectura é muito visual e espacial, enquanto que a estética da música – por exemplo – é muito sequencial, marca o tempo. Por isso, eu admito que haja formas estéticas supramodais e que a Matemática possa ser uma coisa desse género. Esta sequência dos símbolos e a forma como eles são postos no papel.

No passado, o trabalho de um arquitecto era muito autoral, isto é, apesar de “estar de pé sobre os ombros de gigantes” o trabalho era mais individual do que é hoje. O arquitecto Rem Koolhaas afirma mesmo que o que é incrível na actualidade é como é possível ser gerada uma inteligência colectiva a tal ponto intensa que é impossível identificar um único autor. A longo prazo, a forma como trabalhamos em rede poderá modificar a maneira com o nosso cérebro funciona?

Eu acho que a globalização é uma catástrofe. Penso que o mundo se desenvolve pela diferença e não pela semelhança e portanto é preciso cultivar a diferença. Admito que isso que me está a dizer resulta dos instrumentos que são usados e da velocidade que as pessoas têm de fazer as coisas. Hoje – muito provavelmente – as pessoas acham que não há tempo para fazer as coisas porque têm prazos. Eu vejo os arquitectos a participarem em concursos com um prazo cada vez mais limitado e depois vão buscar programas informáticos que naturalmente os restringe na criatividade porque querem fazer uma coisa e o computador não obedece. O programa não pode estar preparado para a novidade, ele está preparado para aquilo que já se sabe não para o que é desconhecido. Naturalmente que as soluções que vão surgindo são soluções cada vez mais estereotipadas – o que não é nada bom para a evolução da espécie. Precisamos cada vez mais que cultivar as diferenças.

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Petra (Jordânia)

Os arquitectos lidam com territórios físicos. Como dizia Peter Zumthor: “Na arquitectura retiramos um pedaço do globo terrestre e colocamo-lo numa pequena caixa”. No entanto parece haver um território que está tão próximo de nós e que é acabamos por descurar. A nossa própria mente. Sobre isto, fico sempre fascinado com as palavras de Gilles Deleuze sobre viagens.

Diz ele: “Não preciso de sair. Todas as intensidades que tenho são imóveis. As intensidades distribuem-se no espaço ou em outros sistemas que não precisam de ser espaços externos. Garanto que, quando leio um livro que acho bonito, ou quando ouço uma música que acho bonita, tenho a sensação de passar por emoções que nenhuma viagem me permitiu conhecer. Porque iria buscar estas emoções num sistema que não me convém quando posso obtê-las num sistema imóvel, como a música ou a filosofia? Há uma geo-música, há uma geo-filosofia. São países profundos. São os meus países.” Qual é a sua opinião?

Eu não estou nada de acordo com isso. Eu acho que a experiência vivida da realidade é muito mais rica que a reprodução da realidade por outro modelo qualquer. E dou-lhe alguns exemplos até de experiências pessoais – e isto que ele disse tem a ver com a experiência dele e com aquilo que ele pensa do mundo, obviamente. Eu fartei-me de ver fotografias de Petra e quando cheguei a Petra… é completamente diferente. É outra coisa que não tem nada a ver com as – boas – reportagens que tinha visto. É outra sensação. Isto faz lembrar uma outra história: eu reconstruí uma casa de família que estava completamente em ruína e os engenheiros disseram “Isto é mais fácil deitar tudo abaixo e fazer outra vez” e eu disse “Está bem. Então mas só se conseguirem colocar cá os ‘fantasmas’ outra vez” porque é outra coisa. Têm de ser as mesmas pedras. Portanto, os sítios, os lugares têm uma história que é percebida pelas pessoas, e é muito difícil fazer uma viagem sentado numa cadeira. Ainda que as possamos fazer. Quem ler o “Dom Quixote” faz uma viagem fantástica mas não é a mesma coisa que ir a Espanha e passear pelos sítios. São duas viagens distintas. Conhecer os lugares por onde andou ao vivo ou conhecê-los “dentro” do Cervantes são duas histórias diferentes. Portanto não estou muito de acordo que a reprodução possa valer o mesmo que o real. Basta dizer que uma criança se for posta na presença exclusiva de linguagem falada através de um gravador ou algo do género sem ser através de pessoas não aprende a falar. Só aprende se estiver perante pessoas. As pessoas fazem falta as coisas reais fazem falta e portanto por mais que nós as possamos representar da forma mais interessante possível, são sempre aproximações e nunca é a experiência total.

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Petra (Jordânia) – © Zach Tucker

Falou no exemplo de Petra e na diferença que é ver uma imagem e estar lá, rodeado por essa imagem. No entanto, quando se está lá não é apenas a imagem, são os sons, é a temperatura, são os cheiros, a memória…

Os tais “fantasmas”.

Sim, os “fantasmas”. Acredito que também do ponto de vista neurocientífico essa diferença – entre o prazer que se tem nas duas situações – seja reflectida.

Primeiro, para que não haja ambiguidades: quando falo de “fantasmas”, falo das coisas que nós invocamos. E portanto, nós podemos invocar pessoas. São os “fantasmas” que nós colocamos lá dentro. Temos a imaginação para o fazer.

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Petra (Jordânia) | © Alvaro Leiva

Mas olhando para o cérebro numa e noutra situação (na experiência bidimensional do sítio e na experiência multissensorial quando se está no sítio) há também zonas do cérebro mais ou menos estimuladas.

Isso de certeza. Mas é muito difícil dizer o quê exactamente. Aquilo que eu posso dizer é que há um estudo muito interessante que comparou as pessoas que tinham um “Facebook” com muitos amigos e pessoas que não tinham “Facebook” mas tinham muitos amigos. E o cérebro entre os dois grupos de pessoas é completamente diferente. O cérebro dos primeiros tem bastante desenvolvimento de áreas da memória visual, dos detalhes, etc. O outro grupo tem mais desenvolvida a área dos afectos. E portanto, de facto, essa é a diferença entre a realidade e a representação da realidade. Quando uma pessoa pensa que tem muitos amigos no “Facebook”… eu não sei se esses amigos eram capaz de dar a vida por nós enquanto que os outros se calhar são. E a grande diferença está aí: quando estou a olhar para a imagem eu posso lembrar-me de memórias que tive quando estive no sítio mas nunca é a mesma coisa que estar no sítio. Quando estou no sítio eu invoco muito mais coisas, muito mais actividades do cérebro. E se tiver que tomar alguma decisão ela é muito mais bem tomada. Eu conheci um arquitecto que é um arquitecto de hospitais no Brasil e que tem os hospitais mais fantásticos que eu tenho conhecido. Mas ele interna-se nos hospitais antes de os desenhar. Quando entramos num hospital há ali um sentido de familiaridade fantástico. Ele criou hospitais que são até quase como peças modificáveis.

João Filgueiras Lima (Lelé) - Sarah Lago Hospital
Hospital Sarah Kubitschek em Brasília – João Filgueiras de Lima (Lelé)

Será o Lelé (João Filgueiras de Lima)?

Não me lembro do nome dele, mas é ele que tem feito todos os hospitais da rede Sarah que são hospitais fantásticos, dos mais bem construídos que eu já vi. E isto tem de facto a ver com o ser capaz de estar num ambiente e de o perceber. É preciso “respirar” dentro da criação.

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Hospital Sarah Kubitschek em Brasília – João Filgueiras de Lima (Lelé)                                © Celso Brando e Silvio Pereira

Há actividades que temos como seres humanos que, não sendo essenciais para o desenvolvimento e transmissão genética, são muito importantes para o nosso bem-estar. A Arte é mencionada por alguns autores. É longa a discussão sobre se arquitectura se aproxima mais do campo das Artes ou das Ciências. Há quem diga que é uma arte funcional. No entanto, quando se fez a primeira cabana imagino que tenha isso possa ter sido o início para uma modificação genética evolutiva, relacionado com o sedentarismo, com as actividades agrícolas, etc. Olhando para esta ambiguidade, poderá dizer-se que a arquitectura se aproxima mais de uma actividade indispensável para o estado homeostático ou antes de uma actividade “apenas” essencial para o bem-estar social?

É uma questão complicada. O que é o desenvolvimento espontâneo de uma favela? A favela tem beleza, há coisas fantásticas. No entanto é uma coisa que é intuitiva.

É informal.

URBAN AGE
Jardim Angela (São Paulo, Brasil)

É informal, mas trás lá de dentro uma experiência, uma ideia de casa e de sítio para viver. Se calhar é das coisas mais primitivas que existe. Eu ouvi uma vez um arquitecto dizer que estes bairros da periferia de Lisboa – que eu acho que são bastante feios – são o resultado de uma construção, de uma produção humana e temos de olhar para isto numa perspectiva de “Apareceu…apareceu. Tem a sua justificação enquanto produção. Eu sei que nós temos melhores soluções, mas a verdade é que também é movimento, é expressão espontânea da construção”. Agora, o que é que entra nos genes? Tudo o que é desenvolvimento cultural entra nos genes. Nós transmitimos todas as nossas experiências – visuais, entre outras – de uma forma que não está organizada por “capítulos”. Neste momento estamos todos “às voltas” com o conceito da epigenética tentando perceber o que é. Mas a verdade é que desde há 7.000 anos que começámos a ler e as crianças estão a ler cada vez mais cedo. Isso significa que a leitura está a fazer parte integrante da nossa capacidade. Mas agora acabou-se. A escrita provavelmente vai acabar porque já deixou de ser uma escrita cursiva para passar a ser uma escrita diferente. Mas a verdade é que essas aquisições culturais entram depois dentro do nosso património genético. O que é aprender? Aprender é reconhecer coisas. E portanto, o cérebro percebe que aquilo que nos estão a dizer faz sentido cá dentro. E se faz sentido cá dentro é porque criei cá dentro uma via possível que é criada com os genes. Estamos “presos” por isso.

Já no final da década de 1980 o Deleuze dizia que acreditava muito mais “futuro da biologia molecular ou do cérebro do que no futuro da informática ou de todas as teorias da comunicação.” Concorda?

É impossível fazer futurismo mas o que tem sido sólido na presença dos humanos na Terra é a transmissão biológica. A produção científica e a produção dos equipamentos é efémera, vai desaparecendo e não se consolida numa memória – a não ser numa memória museológica. Acho muito interessante ver o que se usava nas navegações dos Portugueses na Época dos Descobrimentos mas não faz sentido hoje. Quando estou a falar de informática se calhar hoje faz sentido mas daqui a uns tempos não fará porque haverá uma outra forma qualquer. Mas o que está na memória genética passará para as gerações futuras – a não ser que a espécie desapareça como os dinossauros, o que pode acontecer também. Se me pergunta o que tem mais futuro, é o que é transmitido de pessoa para pessoa na biologia molecular.

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Acha que nos relacionamos com a tecnologia de uma forma muito intensa? O iPhone para muitas pessoas passou a ser quase uma extensão da própria memória. Há muita informação que já não somos obrigados a memorizar uma vez que contamos com estes dispositivos para armazenar essa informação temporariamente. Modificará a forma como o nosso cérebro se vai desenvolver?

Apetece-me pegar nisso do ponto de vista ficcional e dizer que o que estamos a fazer é “despejar o cérebro” – o que é um risco enorme e cá vem a história da globalização. Eu acho que é dramático se deixarmos de ter informação dentro da cabeça. Nessa altura o que é que fica dentro da cabeça? O prazer, a fome, as coisas elementares. Uma das coisas que aconteceu do ponto de vista da espécie foi uma coisa chamada “Cultura”. E ela é qualquer coisa que as pessoas vão adquirindo pelo convívio de umas com as outras e com o passado e que organiza o seu próprio pensamento. É estruturante. Se eu começo a retirar todos os instrumentos culturais, se os tiro da cabeça e os espalho em apêndices eu deixo de modelar a minha cabeça culturalmente. Passo a ter uma cabeça de selvagem.

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