Visita a Fallingwater House e o porquê de “todos” quererem ser arquitectos

© Hugo Oliveira
© Hugo Oliveira

“Quando era mais novo também queria ir para arquitectura!”. Seguramente será uma das frases mais ouvidas por parte de arquitectos. Ao escutarmos estas palavras, ficamos orgulhosos (e um pouco vaidosos) e acabamos por não saber o que responder.

Após a visita à Fallingwater House, “essa casa fez-me querer ter sido arquitecto/a” ou “tenho pena de não ter visitado esta casa antes, poderia ter-me tornado arquitecto/a por causa dela”, tornou-se uma frase muito ouvida por mim.

Aqueles que têm paixão por arquitectura poderão ter visto esta casa em inúmeras livros e documentários. No entanto, a experiência de estar lá (!)… ultrapassa tudo o que possa ser expectável. Isso acontece com as grandes criações humanas, sejam elas de que natureza forem. Ver imagens do Panteão nos livros escolares quando temos 12 anos não é a mesma coisa que ver ao vivo.

Qualquer imagem que se possa ver desta casa também ficará aquém da experiência que é visitá-la. O som da cascata, o contacto com os materiais das paredes ou dos pavimentos,  a sensação das diferentes temperaturas, o aperceber do velho truque da “compressão-descompressão” de espaços, mesmo o partilhar de pequenas anedotas sobre a casa com os visitantes ou o descobrir da razão por detrás de alguns pormenores tornam única a sua visita.

Para além de um magnífico exemplo de arquitectura residencial do século XX, esta casa também testemunha a ideia amplamente partilhada pela maioria dos arquitectos (e que de resto também se aplica a tantas outras ocupações) de que apenas com o tempo se poderá ser um bom naquilo que se faz. Com a arquitectura isso tende a ser bem mais tarde.

Aos 67 anos Frank Lloyd Wright desenhou a sua mais reconhecida casa. Morreu antes de ver a conclusão de outro grande expoente da sua criatividade, o Museu Guggenheim. É um tremendo exemplo de perseverança e da busca pelo eterno.

Numa entrevista que teve nos últimos anos da sua vida, quando questionado por Mike Wallace se ele acreditava na sua própria imortalidade, respondeu que sim. “Eu serei imortal. Para mim, ser jovem não tem significado algum. É algo acerca do qual não se pode fazer nada. Nada. Mas a juventude é uma qualidade, e se a tiver, nunca a perderá. E quando o colocarem na caixa, essa será a sua imortalidade”.

A sua obra, os seus pensamentos, permanecerão no tempo pois conectam-se com aspectos muito profundos da natureza humana, aspectos que são intemporais. Por mais presunçoso que possa parecer esta afirmaçao, os arquitectos, partilham desta qualidade e expressam-na através do que criam de forma bem diferente dos outros. Ainda que isto possa acontecer em outras áreas, na arquitectura essa tradução é feita de forma muito física e de forma relativamente permanente.

Todos nós queremos ser eternos. Uns tem a sorte de o ser através dos seus descendentes, outros através das suas acções, outros através de objectos ou espaços que criam e que modificam a vida de outros, mesmo quando já estivermos dentro de uma caixa.

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