Entrevista com Leonardo Finotti

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Onde foi tirada esta fotografia?

Em Icaraí-Grajaú na periferia da zona sul de São Paulo, Brasil.

Quando?

No dia 3 de Novembro de 2011, às 10h28.

Existe algum aspecto técnico sobre a fotografia que queira mencionar?

O facto de fotografar em um helicóptero inclui algumas questões técnicas. Por exemplo, para evitar que a foto fique tremida tem que usar uma velocidade mais alta. A utilização de lentes till-shift em voos de helicóptero dificulta muito o trabalho, porque são lentes totalmente manuais que não permitem automatismos como o autofocus e fixar uma velocidade. Por outro lado, o mais importante nesta foto é o enquadramento, encontrar uma perspectiva extremamente precisa como o meu trabalho com o pé no chão.

Como surgiu a oportunidade de fazer este trabalho?

O trabalho foi comissionado pela Secretaria Municipal de Habitação que também estava investindo em muitas instalações esportivas e de lazer na periferia.

Já tinha estado naquela área anteriormente?

Não, mas caminhei lá alguns dias depois.

Porque escolheu esta imagem? O que há de mais interessante nela?

A foto é parte de um trabalho autoral no qual estou trabalhando agora mesmo que vai ser exibido numa exposição no Rio e num livro editado na Suíça. Também, porque ganha um significado especial no contexto da Copa do Mundo.

Existe algo que gostaria de comunicar através dela ou algo que através dela descobriu?

A minha fotografia acaba estruturando a realidade que eu fotografo. Num projecto de arquitectura achar essa estrutura é sempre mais fácil, porque é projectado por um arquitecto e tem tudo isso muito bem definido, na cidade informal não. Nesta foto o espaço do campo/favela é “arquiteturizado” pelo meu olhar; a estrutura do campo passa pela favela, mas tudo isso acontece na foto, a foto cria a realidade estruturada.

Há alguma história peculiar sobre a imagem que queira partilhar?

Eu fiz uma impressão lenticular desta foto como teste, que consiste em 2 ampliações sobrepostas, na parte de trás em papel e na frente impressa numa retícula translúcida, e cria um movimento estranho tipo 3D, mudando dependendo da posição em quem olha. Colocámos no escritório, e todo mundo odiou. Dois dias depois tivemos uma reunião lá com um curador que viu a foto e falou: “não mostra pra ninguém, vamos fazer uma exposição.” É nessa exposição que eu estou trabalhando agora. Tudo mundo vê coisas diferentes na fotografia!

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