De Rucker Park a Madison Square

© Hugo Oliveira

Imaginem o que é ver o vosso desportista favorito jogar no vosso bairro. Longe do epicentro caótico de Manhattan, em Harlem, está um campo de jogos igual a qualquer outro não fosse o facto de este ser palco não só para jogadores amadores mas para os mais extraordinários profissionais do basketball.

Harlem-1 8-1-2011 EBC Basketball - DC Power vs. Sean Bell Allstars

Estrelas como Michael Jordan, Kobe Bryant, Kevin Durant, ou Julius Irving jogaram perante um público heterogénio – anónimos e muitos famosos dos quais se destacam: Bill Clinton, Denzel Washington, Beyonce, Jay Z, ou Rihanna.

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Depois de alguns minutos a jogar no court, tive a oportunidade de me sentar nas bancadas e falar com um rapaz que se aproximou. Contou-me um pouco sobre o bairro, sobre onde ele vivia (numa das “Polo Ground Towers” que olham de cima o campo de jogos) e sobre o que fazia (canta e produz rap, produz, filma e edita os seus videoclips).

“Há crianças que passam aqui todo o dia. É importante que elas encontrem algo para fazer para um dia sair daqui e ver o mundo” recordo-me de Meta Mike dizer. Quando lhe perguntei para onde ele gostaria de ir ele respondeu que Espanha era um bom sítio e o Egipto também – “tenho tanta gente do Egipto que me segue no Twitter, gostava de ir lá”. No entanto ele diz que voltaria sempre para Harlem. É ali que aprendeu tudo o que sabe.

© Hugo Oliveira

Estive para sair de Nova Iorque sem visitar o Harlem. Fiquei satisfeito por o ter feito. Sítios como este relembram-me algo dito por Kalaf sobre o facto das mudanças criativas nascerem sempre de fora para dentro da cidade – ou como Jaz-Z canta sobre o seu percurso “from Marcy to Madison Square”.

© Hugo Oliveira

Nova Iorque é um “mosaico de episódios” que se estende por mais de 2000 quarteirões, e esta é uma dessas partes. É também parte do dia-a-dia das crianças e jovens que vivem nos bairros sociais que estão próximos de Rucker Park. E seja em Harlem, Bronx ou Brooklyn não se pode dizer que há sítios mais felizes que outros. “As pessoas podem ser miseráveis e extáticas em qualquer sítio. Cada vez mais penso que a arquitectura tem cada vez menos a ver com isso. Claro que isso pode ser libertador e alarmante” (Rem Koolhaas).

© Hugo Oliveira

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