Entrevista a José Adelino Maltez (parte 3)

Gosta de dar aulas?

É uma paixão, é uma paixão… Eu dava um tiro na cabeça se não fosse professor. Eu faço aquilo que quero, aquilo que sonho. É uma vantagem podermos praticar aquilo que é o nosso sonho e atingir o máximo daquilo que se sonha como carreira que é dar aulas. Aliás, eu apareço às vezes nos meios de comunicação social e até me dizem: “Lá está você a dar uma aula”. Até mesmo no comentário televisivo eu dou uma “aula”.

Portanto, é uma paixão que se nota e que vive muito da recepção do outro. “Primeiro está a aula e depois o capítulo” como dizia o Hernâni Cidade. Depois há lá aquelas coisas dos conselhos científicos, essas coisas do “corredor” que não interessam para nada. O que interessa é a paixão e o prazer e a realização pessoal como professor no sentido de ter alunos e de viver deles, para eles e com eles. Mas isto é o normal de um professor e eu não sou uma “avis rara”. Nós entramos todos em comunhão e sentimos isso e vive-se isso em Portugal. E vive-se com um padrão de professor que é igual em qualquer parte do mundo. Sempre foi assim, há de continuar a ser assim e sobre isto é que assenta o ensino e os sistemas educativos e isto vai ganhar, mesmo que aparentemente sejamos controlados por factores extra-aula.

Dependemos sempre daquilo que nós damos aos outros e que recebemos dos outros. Uma aula não é apenas alguém que dita de cima para baixo, é alguém que também é impulsionado pelo prazer da dialética e isso acontece tanto numa aula como nas próprias redes sociais. Não é aquilo que se dita, é aquilo que se vai interagindo – claro que uma função de alguém que tem “licença” ou “permissão” para exercer essas funções com todos os defeitos. Um professor depende dos seus alunos.

E um bom professor é aquele que fica satisfeitíssimo – e isto também não é inédito – quando encontra alunos que são melhores que ele e que sabem mais do que ele. É o máximo de se ser professor, “vamos para casa que isto continua tudo melhor do que quando nós lá estávamos”. Já me aconteceu isso por razões de saúde. Tive um grande problema cardíaco, abandonei e tive o prazer de ver que quem estava no meu lugar continuou melhor do que quando eu lá estava. Regressei daquela situação quase da morte para verificar que isso aconteceu e isso é bom.

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